DIARIO DE BORDO DO PLANETA TERRA - pgalvas@yahoo.com

Tuesday, July 20, 2004

MAIS UM POST SÉRIO

Vítor Baía foi hoje anunciado pela UEFA como o melhor guarda redes da época passada, ajudando assim o FCP a conseguir o pleno.
Uma distinção que vem coroar o trabalho na baliza do clube das Antas e, ao mesmo tempo, colmatar a não participação no Euro 2004.
Mas não é por isso que estou para aqui a cagar postas de pescada.
Estava eu ontem a caminho de Lisboa, a ouvir a TSF, quando ouço a notícia de que Vítor Baía tinha estado da parte da manhã, no IPO do Porto. Esta visita ao Instituto Português de Oncologia, serviu para entrar na enfermaria infantil deste hospital, para conversar com as crianças e para distribuir autógrafos. Serviu também (coisa pouca) para entregar à administração do IPO quatro monitores. E não são monitores para jogar computador, nem tão pouco para ver os jogos do FCP nos quartos. São monitores que medem os sinais vitais e que alertam as enfermeiras para problemas que possam surgir com os pacientes. Esta oferta é tanto mais importante quanto neste hospital apenas existiam dois aparelhos deste tipo, por serem demasiado caros. É por isso que eu digo que neste campeonato, o Baía já ganhou.

Tuesday, July 13, 2004

Inquérito Solarengo

Tendo em conta a intenção do nosso novo PM, Dr. Pedro Santana Lopes, de descentralizar os "centros" de poder e decisão, colocamos a seguinte questão:

Para onde deverão ser transferidos a residência oficial do Primeiro Ministro e o Conselho de Ministros?

1 - Ilhas selvagens da Madeira
2 - Interior do Túnel do Marquês
3 - Grutas de Mira D`Aire
5 - Bolama
6 - Polo Sul
8 - Coreia do Norte
9 - Plutão
10 - Guantánamo

Como tiveram oportunidade de reparar, estas são opções inóspitas e de difícil acesso. Desafios à medida do nosso novo PM, que sempre lutou e conseguiu em condições extremas - com muito sacrifício e esforço - tudo aquilo que alcançou na vida.

Se quiserem votar, tudo bem (pgalvas@yahoo.com). Mas se não quiserem, não faz mal. Já estamos habituados.

Thursday, July 08, 2004

Só agora
é que o Solarengo teve acesso à carta de pesar que o PPM escreveu há cerca de um mês, depois da morte de Sousa Franco. Aqui fica um cheirinho do que dizem esses marialvas:

"Não queremos nem devemos dramatizar, nem tão pouco fazer do Professor um mártir, mas a verdade é que o Professor também deveria fazer parte das pessoas que não cuidavam da sua saúde. Provavelmente, não media a tensão há muito tempo. A sua morte já estava prevista" ... "Ao mesmo tempo, estamos certos, esta foi a melhor e a mais eficiente forma do Professor dizer basta desta politiquice e dos politiqueiros que a alimentam".

Ora aí está! O que os toiros conseguem fazer......



Monday, July 05, 2004

Podia ter sido eu a escrever

Para Quê Votar?

Vamos começar pela memória, porque esta gente detesta a memória, como todos os que vivem na oportunidade e não na coerência. Há uns anos atrás, quando o seu futuro político não ia além da função de animador sazonal dos congressos do PSD - e onde todo o seu pensamento político se resumia à patética reivindicação da herança de Sá Carneiro e do "PPD/PSD" -, Santana Lopes prestou-se (mediante "cachet", presumo) a fingir que era primeiro-ministro de Portugal, num programa da SIC chamado "A Cadeira do Poder", genial invenção do animador Albarran. No jogo - onde ele adoptou aquela postura grave de "estadista", que às vezes lhe ocorre sob os holofotes da televisão - acabou, aliás, derrotado por Torres Couto. Passados uns tempos, e quando os seus diligentes serviços de propaganda pessoal (sustentada pelos contribuintes) nos propunham acreditarmos na sua grande obra política que era a de plantar umas palmeiras na praia da Figueira da Foz, o mesmo Santana Lopes, indignado - e justamente, diga-se - com um programa da mesma SIC onde era pessoalmente achincalhado, pediu uma solene audiência a Jorge Sampaio para lhe comunicar, "urbi et orbi", que abandonava para sempre a política portuguesa.

Não foi preciso esperar muito para constatarmos que aquilo que era suposto ser a sério - o abandono da vida política - tornou-se numa brincadeira e o próprio indignado Santana Lopes acabou a trabalhar para a mesma SIC que tanto o havia ofendido. E se o que era para ser a sério se transformou numa brincadeira, o que não passava de uma brincadeira - Santana Lopes a primeiro-ministro - ameaça hoje tornar-se numa coisa séria. Parece um pesadelo e, no entanto, é um país: o nosso.

O que mudou? A progressiva degenerescência do pessoal político, a progressiva indisponibilidade dos competentes e dos sérios para servirem na política e habitarem no mesmo mundo onde habitam os Santana Lopes, os Jardins, todos aqueles para quem o poder é a única fonte de legitimidade e o único objectivo da política, todos os que, à boca cheia ou à boca pequena - como Paulo Portas ou tantos outros dentro do PSD e do PP -, falavam dele em tom de comiseração e hoje estão dispostos a, sem um estremecimento de vergonha, tratá-lo por "Senhor primeiro-ministro" e negociarem com ele fatias do grande festim de benesses que sempre acompanhou a carreira política do personagem.

Este é o homem, recordo, que, de todas as vezes que se propunha para presidente do PSD, tratava de deixar claro que não seria candidato a primeiro-ministro - tamanha era a convicção própria da sua absoluta incompetência e descredibilização para o cargo.

2. Reza a história que Pedro Santana Lopes e Durão Barroso se conheceram em pleno PREC, nos bancos da Faculdade de Direito de Lisboa. Um era protofascista, o outro maoísta - o que para nós, democratas, implica uma quase fatal atracção mútua. Ambos acabaram por encontrar o seu espaço e o seu destino comum nessa nebulosa de ideologias e de gestão de interesses que é o mal-chamado Partido Social Democrata. Ao ler a manchete do PÚBLICO do último sábado ("Durão segue para Bruxelas e oferece governo a Santana"), senti que ao país acabava de ser servido, e pronto a consumir, o desenlace de uma história privada de dois personagens que já foram íntimos, já foram desavindos e adversários, e agora são cúmplices na forma ligeira como entre si põem e dispõem dos destinos do país.

E senti-me, como qualquer português que se preze (o que é diferente de andar para aí a passear a bandeirinha...), enxovalhado, abusado e traído. Julgo, salvo melhor opinião, que vivemos ainda em democracia. E, em democracia, os governantes são votados e são despedidos pelo voto dos eleitores. Alguns dos eleitores votaram em Durão Barroso para primeiro-ministro e outros votaram em Santana Lopes para presidente da Câmara de Lisboa. Confesso que fiquei espantado, mas foi isso mesmo que aconteceu. Com que legitimidade política o primeiro abandona agora o cargo de primeiro-ministro a meio do mandato e só porque lhe apareceu coisa melhor e mais fácil, e o segundo abandona a câmara da maior cidade do país, deixando-a positivamente de pantanas, para receber o lugar vago que o outro lhe ofereceu? É assim que se fazem as coisas - vota-se em Durão para primeiro-ministro e leva-se com Santana e vota-se em Santana para a Câmara de Lisboa e leva-se com alguém que ninguém conhece? Porque haveremos então de votar, da próxima vez?

3. O destino pessoal de Durão Barroso é, de facto, notável. Faz lembrar o Pacheco, do Eça, subindo, subindo sempre, como o "menor denominador comum". Ei-lo que chega ao topo da hierarquia europeia depois de, há umas semanas atrás, ter sido o governante mais derrotado nas eleições europeias e de ter sido, há mais de um ano, o grande fautor de desunião da Europa, de cujo futuro fez tábua rasa pelo prazer de poder tratar por "George" aquela luminária do lado de lá do Atlântico. E chega lá porque pertence ao grupo dos governantes do centro-direita europeu (ele, supostamente social-democrata), porque fala francês, porque dá garantias de assegurar uma presidência fraca contra os fortes, porque preferiu para si a glória sem interesse nacional de ser presidente da Comissão do que o interesse de ter um português como comissário numa pasta decisiva. E porque revelou um respeito pelos eleitores portugueses que lhe confiaram a chefia do Governo em tudo diferente da de outros seus colegas, como o primeiro-ministro do Luxemburgo - todavia, ao contrário de Durão Barroso, recente vencedor das eleições europeias no seu país...

Lembrem-se: há três semanas atrás, na noite em que vinha de encaixar a maior derrota eleitoral de sempre do centro-direita em Portugal, Barroso olhou-nos olhos nos olhos e disse-nos. "Entendi a mensagem dos portugueses e prometo mais e melhor trabalho."

Lembrem-se: este era o homem que acusava Guterres de ter fugido, quando este, na sequência de uma derrota em autárquicas bem menor do que a de Barroso nas Europeias, se demitiu - como aliás o próprio Durão Barroso exigiu - para que o eleitorado dissesse se ainda confiava na maioria então governante.

Lembrem-se: este era o homem que, há pouco mais de um mês, fez aplaudir de pé, no congresso do partido, a sua ministra das Finanças, cuja política ele defendia como patriótica e que os "big spenders" do partido acusavam de ter grandes perigos eleitorais. E que agora se dispõe a deixar cair sumariamente a mesma ministra, vista como um empecilho para o estilo de governação do seu sucessor e, logo, como um empecilho para o arranjinho que deixou preparado.

O "interesse nacional", que ele tanto gosta de invocar a propósito de tudo e de nada e que agora usa como justificação para a sua escandalosa deserção, transforma-se em escárnio quando todos podemos observar como, desde sábado passado, o primeiro-ministro em fuga anda feliz, contente e aliviado.

4. E Jorge Sampaio, perguntam todos? Jorge Sampaio tem um problema que só ele próprio conseguiria inventar, com esta fobia dos consensos e de fugir às crises, como se elas não pudessem ser virtuosas, clarificadoras e - como é o caso - higiénicas. Jorge Sampaio não pode descalçar a bota por meios que a Constituição não permita. Mas pode fazê-lo por qualquer meio que a Constituição não proíba, e entre esses está o uso das suas convicções políticas, dentro do quadro dos seus poderes constitucionais. Jorge Sampaio foi eleito com base em determinado programa político e por isso é que uma parte do eleitorado - a esquerda - votou nele e a direita não. Pode e deve continuar a ser Presidente de todos os portugueses no que se refere à salvaguarda da Constituição, do funcionamento das instituições e da garantia de direitos iguais para todos. Mas não deve, mesmo que possa, trair o programa e as ideias políticas com base nas quais uma maioria de portugueses lhe confiou o cargo. Os que votaram Sampaio não aceitam este golpe de Estado palaciano congeminado na Rua de Buenos Aires. O país não se decide assim, em "petit comité" de usufrutuários do poder. Se o Presidente, nesta hora, não vê claro o que há-de fazer, não percebo para que haveremos também de continuar a votar num Presidente. Só faltava agora ficarmos a pensar que, com Cavaco Silva na presidência, Santana Lopes não chegaria ao poder com esta leviandade palaciana.

Por MIGUEL SOUSA TAVARES
02 de Julho de 2004
Jornalista




Le Monde, sexta-feira.

"Enfin, sentimental et kitsch comme je suis, je rêve maintenant d'assister, dimanche, à l'Estadio da Luz, au sacre de Luis Figo. Trente ans après la "révolution des œillets", je ne chanterai pas l'hymne portugais mais murmurerai "Grandola Vila Morena...".

Daniel Cohn-Bendit .





Friday, July 02, 2004

Pensamento do dia:

A Holanda tem o haxixe, Portugal tem o Maniche.

Thursday, July 01, 2004

Inquérito SOLARENGO

E a pergunta de hoje é a seguinte:
- Quem vai vencer a final do Euro2004?

1 - Durão Barroso
2 - Manuela Ferreira Leite
3 - Tó Zé (Serralheiro mecânico - desempregado)
4 - João Paulo II - PAPA
5 - Fosquinhas - cão de Santana Lopes
6 - Portugal - Nação valente e imortal

A votação deverá ser enviada para pgalvas@yahoo.com, ou então, se não quiserem votar, também não faz mal,é o que provavelmente acabará por acontecer.